Publicado por: Toddy | Julho 1, 2008

Nerdwood

Saudações, mortais!

UHU! Este é o artigo de estréia da sessão de cinema do INEXPRESSIVOS (HÁ! Sessão de cinema, ENTENDERAM!?), o MAIOR, MELHOR E MAIS FODA site de cultura nerd do universo (ou melhor, dos universos! O da Marvel, o da DC, o da Dark Horse… Nossa, como sou engraçado).

Me apresentando, eu sou o Toddy, o calhorda responsável pela sessão mais tímida desta joça. Daqui em diante, aturem minha arrogância e meus artigos nada imparciais (embora bem intencionados).

Enfim, no more solenidades. Vamos direto ao assunto.

2008 é provavelmente o ano mais nerd da década – ao menos em termos cinematográficos. Homem de Ferro, Indiana Jones IV, O Incrível Hulk, Speed Racer, O Cavaleiro das Trevas… Estes são apenas alguns exemplos da massiva empreitada de Hollywood no mercado nerd. Seria isto uma mera coincidência ou os grandes estúdios estão cada vez mais propensos a investir em temáticas fantásticas?

Um pouco dos dois. Com X-Men (2000), realizado em plena virada do século, Hollywood reabriu os olhos para as adaptações de quadrinhos. “Re”abriu, porque o cinema já conhecia o gosto (amargo) deste mundo. À parte de Superman (1978), Conan – O Bárbaro (1982) e outros poucos projetos menos conhecidos, nenhuma adaptação fez jus à obra original.

Howard, o Pato

Pai e filho: a obra original dos quadrinhos e o pôster da adaptação cinematográfica

Comecemos por Howard, o Pato (1986), a desastrosa premissa de um cineasta cujo precoce sucesso se estendia às estrelas. Sim, estamos falando de George Lucas, o magnânimo homem (ou seria entidade?) por trás de séries como Indiana Jones e Star Wars. O dito cujo prometia um filme de elevada qualidade técnica e uma história que encantaria a adultos e crianças – além da ambição de revolucionar o gênero infanto-juvenil tanto quanto Star Wars revolucionou a ficção científica. À rigor de sua experiência como diretor de efeitos especiais, o prometido primor técnico foi facilmente atingido. O encanto da história, no entanto, permaneceu nas pretensões. Com um roteiro bobo e infatilóide, Howard foi um gigantesco fiasco financeiro, tornando-se motivo de chacota para o público e crítica. O longa, considerado por especialistas como um dos piores filmes de todos os tempos, manchou a carreira de um cineasta cujo currículo era até então irretocável.

A franquia Batman

Ok, a franquia até que começou bem. Apesar de sua convencional paixão pelo excêntrico, Tim Burton segurou bem as rédeas dos dois primeiros filmes. Um Nicholson pra cá, um DeVito pra lá e investimento pesado em efeitos especiais garantiram aos filmes boas críticas e reações positivas do público. Mas quando Burton abandonou o cargo de diretor, a coisa desandou. Assumia Joel Schumacher, um diretor de média expressão com certa experiência em filmes de suspense.

Leigo total em quadrinhos, Schumacher descaracterizou completamente a franquia. Redesenhou o uniforme do Batman (“ok, vamos deixá-lo colorido e modelar uns batmamilos”), injetou psicodelia (“que tal tunar o Batcarro?”) e caricaturou vilões já caricatos (o que falar do Duas-Caras de Tommy Lee Jones? E o Sr. Gelado de Arnold Schwarzenegger?). Desastroso.

Batmamilos e batcarro com néon

E a Marvel?

A Marvel não ia nada bem. Eles até arriscaram algumas adaptações, como O Justiceiro (1989), Capitão América (1990) e Quarteto Fantástico (1994). Mas a verdade é que eles não sabiam o que estavam fazendo.

O Quarteto Fantástico (1994), de Oley Sassone: clássico trash

Até então, a única adaptação da Marvel razoavelmente decente era a série de TV do Hulk. Sim, só a série. Por que os filmes…

No segundo deles, O Julgamento do Incrível Hulk, David Banner é sentenciado por supostas ligações com a máfia. Seu advogado de defesa é ninguém menos que Matt Murdock – sim, o Demolidor! – o Homem sem Medo (e sem visão, >:D)! Ele inclusive aparece vestido de super-herói – mas não do jeito que conhecemos. Em vez do colante endiabrado, vestiram-no como um ninja de neoprene – e o efeito do radar sonoro era – permitam-me um neologismo – NOJENTORRÍVEL.

Ah, quase me esquecia… O primeiro filme da série contava com a presença de Thor, o Deus do Trovão, quase tão bem representado quanto o Demolidor (:D).

Reza a lenda que os filmes de X-Men e Homem-Aranha já estavam sendo planejados naquela época, mas AINDA BEM que ficou só no papel. Já imaginaram estes filmes com a tecnologia da época?

Renascimento

Depois das pérolas, tanto fãs quanto estúdios estavam traumatizados com a experiência de adaptar quadrinhos para a tela grande. Apesar do sucesso de Blade (1998), os estúdios ainda estavam receosos – acreditavam que o esquema burocrático dos roteiros de Hollywood não suportava o viés fantástico das histórias em quadrinhos. Mas eis que a Marvel decidiu arriscar tudo. Apostou suas fichas no diretor cult Bryan Singer, que naquela altura tinha apenas três filmes em seu currículo (embora um deles, Os Suspeitos, seja indiscutivelmente uma obra-prima). Seria ele capaz de reacender o interesse (e o respeito) pelas adaptações ou apenas mais um carrasco para selar o sepulcro dos quadrinhos nas telas?

As preces nerds foram atendidas, e X-Men tornou-se um verdadeiro fenômeno de público e crítica. Apesar do confesso desinteresse por quadrinhos, Singer foi hábil em dar verossimilhança ao filme, conferindo elegância aos personagens e inserindo-os numa realidade crível – isso tudo sem destoar do tom dos quadrinhos.

Daí pra frente foi uma verdadeira suruba nerd. Veio Homem-Aranha (2002), cujo carisma e expectativa tornaram-o um dos maiores fenômenos em bilheteria de todos os tempos, e logo depois, Demolidor (2003) e Hulk (2003). Felizmente, todas as adaptações foram fiéis, e nenhuma delas fracassou nas bilheterias. Animada com o sucesso, a Marvel liberou geral. Vieram Homem-Aranha 2 (2004), Justiceiro (2004), Elektra (2005) e Quarteto Fantástico (2005).

Os estúdios finalmente confiavam nas adaptações.

E a DC?

Pois é, e a DC? Antes de 2000, a editora era a única que detinha adaptações decentes de seus quadrinhos. Mas com o fenômeno Homem-Aranha, a editora ficou para trás. Só em 2005 a DC veio com o Batman Begins.

A esta altura, a Marvel já figurava nos cinemas com nada menos que oito adaptações. Nenhuma delas, no entanto, atingiu o nível de excelência de Batman. Perdoem-me os marvelistas, mas Batman Begins é, para mim, a melhor adaptação de quadrinhos até hoje (quem sabe o Cavaleiro das Trevas tire este posto :D ). É claro, os filmes do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico ganham no quesito “efeitos especiais”, mas quem liga para eles se o que realmente importa é a história?

Christopher Nolan, diretor do excelente Amnésia (2000), prometia devolver à série a dignidade que merecia, e assim o fez. Com um roteiro impecável e um elenco de primeiríssima categoria, Batman Begins elevou as adaptações a um patamar de respeito e dramaticidade.

Batman Begins (2005). Nolan conferiu ao filme uma atmosfera sombria e dramática

E no ano seguinte veio Superman – O Retorno. Apesar do tímido retorno financeiro, o filme é tão primoroso quanto seu irmão Batman. Bryan Singer admitiu que só aceitou dirigir X-Men por que respeitava o filme Superman (1978), de Richard Donner. Deste modo, quando foi convidado para reassumir a franquia de Superman nos cinemas, não teve dúvidas. E que se dane o contrato com a Marvel! :D

Paraíso Nerd

Há dez anos, quem imaginaria que a Marvel teria todas as suas figuraças adaptadas para as telas do cinema? E que alguém devolveria honra à franquia Batman? E que quadrinhos como Hellboy, Sin City, V de Vingança e Watchmen seriam adaptados às telas? E Que Spielberg FINALMENTE faria Indiana Jones IV?

São perguntas intrigantes. Atualmente, vivemos num verdadeiro paraíso nerd, onde não tarda para que nosso personagem favorito de quadrinhos seja logo adaptado às telas. “Adaptação” tornou-se um gênero cinematográfico e uma das apostas mais seguras de Hollywood para retorno financeiro.

Quem diria. E tem gente que reclama da vida nerd de hoje em dia…


Respostas

  1. Eu sou uma daquelas pessoas que acha que Marvel > DC, mas infelizmente acho que a Marvel ta cospindo quantidade, e a DC, finalmente, qualidade.

    ( Sem contar o Hulk. Aquilo é uma obra prima cinematografica.)

  2. Legal o artigo. FOi bom lembrar do filme antigo do Quarteto Fantástico, poucos sabem disso.
    Faltou o Homem-Aranha que tinha sua antiga série de tv bem ‘trash’ hehe


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