Não nego que o trabalho do desenhista seja complicado também, mas de que adianta um bom desenho se as história contida neles é superficial (Exceto em Ultimates Vol III, por que Madureira é amor)?
Não vejo por aí grandes escritores como antes haviam. O conceito de super-heróis balança cada vez mais entre o adulto e o infantil, beirando o ridículo em certas publicações. Gosto muito do estilo Lee/Kirby de ressaltar o óbvio e o exageradamente fantasioso de Siegel e Shuster; mas chega uma hora, pós-Miller/Mazzucchelli que você precisa de algo que supra a sua carência de crônicas como antes sua carência de fábulas era suprida. Claro, eternamente teremos a briga entre o mítico e o que poderia acontecer do lado da sua casa, mas esse não é o ponto da discussão.
Essa confusão de gêneros é complicada. Eu gostei da fase X-Men de couro sem alegoria, mas, infelizmente, não durou muito, sabe lá deus o porquê (eu sei, mas não gostei da explicação, odeio e sempre vou odiar o esquema “cueca-pra-fora”), ainda mais que eu tinha gostado da resolução “quem morreu NÃO volta”, coisa que, é claro, era uma mentira deslavada, pois não demorou muito tempo pro COLOSSUS voltar. Ele teve uma das mortes mais heróicas que eu já vi após um arco de histórias que acabou psicológicamente com o personagem (Vírus Legado FYI) e depois foi CREMADO, tendo as cinzas (limalhas?) jogadas pela fazenda em que morou grande parte da vida. COMO ressuscitam alguém depois disso é que eu não sei.
Mas tá, esse texto pelo jeito vai acabar carregando muita coisa do meu último post. Mas quem liga?
Foco, Lekabel, foco.
Escriba, então…
O grande problema destes escritores parece ser o surgimento de grandes sagas. É tanta informação, tanta mudança, tanta morte, tanta reviravolta, que muitos detalhes ficam perdidos. Coisas que quem já recebeu um dia o Troféu Cata-Piolho vai lembrar e vai ficar meio puto, como acontece quando matam um personagem mais de uma vez. Tá, um personagem quando fica chato morre num campo de concentração junto com milhares de outros mas, e um que morre aí e volta numa saga com a pior explicação do mundo? Vou ficar devendo exemplos pra não ser spoiler mas chega uma hora que cansa.
Tenho muito medo do que vai acontecer após as grandes sagas de 2008 e 2009. 198, Divided We Stand, X-men Legacy, The Inictative, Secret Invasion, Ultimate Secret/Origins, Dreamwar, Holy War, Final Crisis, The Darkest Night e tantas outras que eu não vou lembrar. Certo, a Marvel tem apostado na quantidade, a DC, na qualidade. Eu, fanboy que sou, vou ler isso tudo e reclamar MUITO, como reclamei de 52 e todos os countdowns (embora tenha gostado de muitas edições).
Mas ficarão as perguntas: e aquele cara super importante que sumiu? E aqueles que ficaram presos? E aquele cara que se sacrificou pelos outros do melhor jeito possível? Será que aquele personagem antigo morreu de vez MESMO? Porra, tal personagem não era importante pra saga? Perguntas que provavelmente ficarão sem respostas até alguém ter paciência de ler alguma timeline feita por fãs, pesquisar um pouco ou pelo menos ter lido alguma dessas outras milhões de sagas, corrija um esquecimento de seu predecessor.
Mais do que isso, será que todas essas mudanças pós-crise, pós-holocausto serão duradouras? Não quero ser o corvo da tempestade, mas apesar das brilhantes sagas que estão saindo agora, ambas editoras estão levando seus títulos pra um beco sem saída. Não dá pra resetar o universo toda vez que algo sai fora do eixo como faziam a anos atrás. Não funciona mais e perder leitores em detrimento de MAIS um reset será triste. Principalmente quando fazem A mudança em um personagem famoso pra simplesmente ignorarem e resetarem o personagem, como se nada mais tivesse acontecido (tipo o Homem-Aranha).
Agora é sentar e aguardar, quem sabe eu não esteja errado e comecemos uma nova era dourada, onde ambas as editoras tenham qualidade e sejam continuamente épicas.
Caso contrário, sempre teremos Dark Horse, Image, Wildstorm, Image e escritores como Ennis, Brubaker, Morrison e Johns espalhados por aí.
Heh… Fecha teu livro, palavreiro.